27.6.07

Luís Freitas Lobo sobre o Europeu de Sub-21

“Pensamos no valor dos jogadores, nos erros de casting das equipas iniciais, dos equívocos tácticos, e é impossível não ficar com uma sensação de profunda desilusão da participação de Portugal no Euro Sub-21. É futebol. O drama nunca está em perder, mas sim em como se perde.”

“A primeira, ora com um duplo-pivot que travava a amplitude de jogo de Miguel Veloso e Manuel Fernandes, ora criando quase um trivot, quando jogou também Rubem Amorin. A segunda, com Moutinho e Nani demasiado distantes o que forçava, como se viu contra a Bélgica, a que tivessem de baixar excessivamente para poder pegar na bola.
Um penalty que ficou por assinalar podia ter, apenas, disfarçado estas carências. Nunca seria, obviamente, o pilar de uma estratégia sólida. E foi isso que faltou.

“A selecção sub-21 tinha uma boa possibilidade de tentar esta estratégia, pois, no seu grupo, está todo o meio campo do Sporting (Veloso-Moutinho-Nani-Djaló). Em vez disso, Couceiro montou outro meio-campo contra a Holanda, com três médios recuados (M. Fernandes-R. Amorim-Veloso) sem rotinas entre si, nem nas dinâmicas em que jogaram. Tentou dar maior peso ao sector. Conseguiu, apenas, torná-lo mais pesado. Parecia que aquele trio jogava com um peso amarrado aos pés que o impedia de sair do chão e da primeira linha do meio-campo. Mais do que na «pressão» do quarto árbitro, residiram aqui as causas da fraca exibição de Portugal frente à Holanda. “

“Da transmissão, ficaram-me os grandes planos da atitude, correndo e lutando, de Moutinho, com os olhos querendo comer o mundo (acho que corre até demais..), o desalento de Hugo Almeida por os seus remates não encontrar a baliza, a vontade de João Pereira provar que tem lugar naquela equipa, a coragem de Manuel Fernandes em assumir o jogo e encolher os ombros depois de cada falha, voltar a tentar outra vez de seguida, a tranquilidade que até enerva de Veloso. E até Nani, neste caso parecendo que já nem estava em campo, pois o seu olhar já era vazio, como se a mente estivesse longe. E não custa crer, nem entender, que estivesse.
Julgamentos sumários em grandes planos que, neste caso, ilibam os jogadores do desaire sofrido. O mesmo não se pode dizer dos grandes planos nas bermas das quatro linhas. “

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